Foi tudo planejado para acontecer
durante o carnaval: a longa entrevista do presidente nacional dos
tucanos Sérgio Guerra, a conversa marcada por Alkimin com Serra
para definir a candidatura do ex-governador à prefeitura de São
Paulo e a viagem deste a Buenos Aires com um dos participantes das
prévias, Andréa Matarazzo, para acertar a composição de
chapa.
Indiferentes ao clamor partidário que via no
compromisso de prévias a chance de redimir o partido do erro
histórico de não abrir-se à militância, insistiam na insensata
marcha o presidente nacional da legenda, o governador e candidato.
Mesmo que ao preço do desapreço por parte
da sociedade paulistana: o presidente do partido chegou a
dizer aos jornais que a candidatura de Serra à
prefeito relançá-lo-ia no cenário nacional.
Desfaçatez, porque os cidadãos de São Paulo
sabem que muito dos problemas de que padecem hoje decorre da falta
de interesse de Serra em dedicar-se à cidade, obcecado
que sempre foi pela idéia de tornar-se presidente.
Prefeito e governador, deu as costas à cidade entregando os
governos que deveria dirigir aos secretários Andrea
Matarazzo, na prefeitura, e Vidal Luna no
estado.
Evidente que a intenção do presidente da legenda
e do governador foi a de, cada um ao seu modo, comprometer
Serra com a cadeira de prefeito desvinculando-o da pretensão tanto
de vir a ser candidato em 2014 ao Palácio dos Bandeirantes –
sede do governo estadual – como ao Palácio do
Planalto.
Quanto aos eleitores, que se lixassem. Aos
militantes, que trabalhassem como formigas operárias em favor do
projeto pessoal de Aécio, Alkimin e Serra. Não vai longe quando
eleitores e militantes foram convocados para erguerem o andor de
cada um deles em sucessivas campanhas ainda que em sacrifício
de bandeiras caras ao partido. Baniram FHC e disputaram a
herança do petismo ao invés a do governo federal que os
projetou.
Mas o vôo da cobiça, todos o sabem cego. E mal
completadas as manobras a que se dedicavam de dar
passa-moleque nas instâncias do partido, eis que se levanta a voz
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, tantas vezes traído,
para condenar o passo falso no caciquismo em detrimento do respeito
ao partido e a seus eleitores.
FHC fez saber por meio dos que lhe são mais
próximo que não pactua com a manobra, que a renovação é a esperança
de futuro para qualquer partido. Com a voz dele, o repúdio da
militância ganhou ressonância e o processo de escolha
deverá voltar ao seu curso.
Fernando Henrique sabe que mesmo na improvável
hipótese de rendição dos convencionais tucanas às
pretensões da cúpula, o partido não seria pacificado. Iria
dividido para as eleições de outubro e mais adiante nada
impediria que a facção de Serra buscasse abrigo em outras legendas,
numa espécie de pemedebização do PSDB, com Alkimin no papel de
Quércia e Aécio no de Doutor Ulisses.
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